Pular para o conteúdo principal

Resenha: Jogador Número 1


O ano é 2044, mas a Terra já não é mais a mesma. Em um cenário de fome, guerras, crise econômica, calamidade e níveis extremos de indiferença da humanidade, é praticamente impossível viver neste mundo. Diante disso, o OASIS se torna um meio de refúgio de preservação do que restou das pessoas. Um ambiente virtual, de realidade aumentada, que a gente não consegue deixar de comparar com Second Life, em um primeiro contato. O OASIS vai além de apenas um game, dentro dele — além de se divertir — os usuários podem estudar e até mesmo trabalhar em uma utopia que permite o player ser quem quiser.

Essa oportunidade de ser realmente “alguém” em outra realidade não é a única justificativa para o mundo inteiro ser viciado no OASIS. O sistema foi desenvolvido por Halliday, o que fez com ele se tornasse bilionário, porém ele deixou sua fortuna para um dos jogadores, após a sua morte. Qualquer um poderia ser o vencedor, bastando vencer o desafio deixado por Halliday, que consiste em desvendar os constantes easter-eggs deixados no sistema, até que o player encontre o “ovo de Halliday”.

Após a divulgação do prêmio, o mundo que já era um caos, se tornou ainda pior. A pessoas passaram a “viver” nas duas realidades em prol de ser o vencedor. Eu digo nas duas porque na vida real a humanidade também fará de tudo para eliminar jogadores com grandes potenciais. Um jogo de vida e morte, dentro do mundo virtual e também ao redor das pessoas, no mundo real.

Cinco anos se passaram após Halliday falecer e deixar o desafio lançado, até que finalmente Wade — nosso protagonista — desencadeia os contadores do prêmio, desvendando a primeira etapa! E as coisas ficam bem mais complicadas pra ele a partir desse momento.

Jogador Número 1 pode ser lido por um adolescente, como também pode ser lido por um adulto. Os mais jovens vão adorar os suspenses, e toda a ação que recheia o livro, enquanto os mais velhos provavelmente vão vibrar junto com as referências do passado, abordadas com muita maestria. Embora, no contexto geral, ele atingirá os mais velhos.
Já li inúmeros livros que abordam referências a jogos e cultura geek, porém Ernest faz isso de maneira que realmente transporta o leitor para dentro da narrativa, seja no futuro da ficção ou nas memórias que surgem, de momentos que realmente vivemos quando mais novos.

Pode parecer que o livro é perfeito, mas não é. Acredito que Cline se preocupou muito com as referências e deixou alguns pontos sem sentido, como o fato de que no passado não havia muito recurso tecnológico e computacional, mas existiam inteligências artificiais bem avançadas. Então, como elas foram desenvolvidas?
Em outros momentos, até mesmo os mais vividos não vão entender diretamente algumas ligações muito específicas, eu mesmo não sei quantas coisas mais eu deveria ter sacado, mas passaram despercebidas por falta de conhecimento. Além disso, falta um pouco de desenvolvimento dos personagens também, e algumas coisas ficam sem nexo entre eles.

Mesmo assim, diante de tantas qualidades, mas também com seus pontos fracos, eu não deixo de dar nota máxima e recomendo a leitura para quem gosta de sci-fi, tecnologia e cultura geek, principalmente aquelas dos anos 80.

Avaliação:

Ficha Técnica
Título: Jogador Número 1
Autor: Ernest Cline
Editora: LeYa
Páginas: 464

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Torre do Alvorecer - Resenha

UM IMPÉRIO GLORIOSO UMA BUSCA DESESPERADA UM ANTIGO SEGREDO Sim, estou aqui para escrever uma resenha, mas me encontro sem palavras. Por que? Porque Sarah J. Maas me faz ficar acordada madrugada a fora para terminar mais um livro arrebatador. Torre do Alvorecer deveria ser um extra, um romance da Saga Trono de Vidro que ocorre simultaneamente ao Império de Tempestades, digo deveria, porque ele se tornou bem mais que isso. A própria Sarah disse que se empolgou rsrsrs Depois do final surpreendente de Rainha das Sombras, estão todos meio atordoados com tudo que Dorian e Aelin fizeram e, principalmente, descobriram sobre o Pai do Príncipe, agora Rei de Ardalan. Todos têm uma missão nessa guerra mesmo que ainda um pouco indefinida. Aelin deixa Ardalan nas mãos de seu Rei e segue com sua corte para casa, para finalmente rever seu lar, Terrasen.  Com um novo rei no trono, Chaol Westfall passa a ser Mão do Rei de Ardalan, e Nesryn Faliq a nova Capitã da Guarda. Entret...

Clichê - Resenha

Oi pessoal, o fadas esse ano é parceiro da autora Carol Dias e com isso ganhamos a oportunidade de ler o livro Clichê. Já tinha ouvido falar do livro quando conheci a autora em um evento realizado aqui no Rio e acabei o adquirindo, entretanto o li apenas há pouco tempo. Ele tem a capa rosa e nos títulos de cada capítulo tem uns coraçõezinhos que ficaram muito fofos com cada palavra chave que a autora escolheu como título.  Estive lendo vários romances hot ou suspenses e precisava de algo mais leve, porque não um “Chick Lit” (são romances leves e divertidos com mulheres independentes, como não amar?) para dar uma aliviada e ainda por cima poder conhecer e apresentar o trabalho da autora? E assim, meio que sem querer, comecei mais um livro sem esperar muito e tive uma leitura prazerosa. Clichê é um livro que retrata as vidas de Killan Manning e Marina Duarte, duas pessoas que normalmente não teriam seus destinos cruzados, muito menos se apaixonariam. Marina é uma imigran...