29 de novembro de 2017

A Sereia - Resenha

Confesso que quando peguei o livro “A Seleção”, da Kiera Cass, para ler, foi simplesmente pela capa. Foi só quando descobri do que se tratava que eu devorei mesmo, inclusive li os dois últimos — “A Elite” e “A Escolha” — no mesmo dia, desesperadamente. Então, assim que eu soube de “A Sereia”, também fiquei desesperada para ler logo. Afinal, Kiera Cass me conquistou com sua escrita. 

O livro narra a história de Kahlen, que deveria estar morta há 80 anos, devido a um “naufrágio” que o navio de sua família sofreu. Porém a sua salvação veio com uma sentença, ela se tornaria serva da Água, e sempre que esta estivesse com fome, Kahlen e suas novas irmãs sereias deveriam cantar e sua voz mortal lhes traria os humanos para a Água “devorar”. 

Acontece que Kahlen nunca se acostumou com sua nova vida, mesmo que tenham se passado 80 anos de servidão, tirar vidas ainda lhe causa inúmeros pesadelos e muito remorso. Tanto que ela adquiriu o hábito de anotar o nome das vítimas e depois pesquisar sobre suas vidas. Onde, dentro dessa rotina na biblioteca, ela conhece Akinli. E por mais que Kahlen nunca tenha se dado a chance de viver normalmente, ele a faz se sentir diferente, quase que humana novamente

“Era atemporal e temporário, válido e inconsequente. E pude fazer parte disso. Queria viver daquele jeito o tempo todo!”  

Só que nesse nessa possibilidade de um romance almejado por Kahlen, há um problema, a Água não aceita mães ou esposas, por ser muito arriscado aos humanos terem uma sereia em seu convívio e por Ela querer total devoção.


“Uma menina misteriosa. O garoto de seus sonhos. A Água entre eles.” 

Kiera mandou muito bem — como sempre — no quesito de personagens. Eu achei Kahlen um pouquinho chatinha, mas confesso que quase sempre tenho problemas com as personagens principais. No entanto, o que eu achei mais interessante foi a Água ser uma personagem. Ela é quase como uma mãe para as Sereias, cuida delas, dá carinho, as ama, mas também as prende na sentença de 100 anos, e pune severamente, caso não seja obedecida de algum jeito. Dependendo da gravidade, a sentença é a morte. 

“Parte mãe, parte carcereira, parte chefe... Era uma relação difícil de explicar.”

Apesar de Akinli ser um fofo, não achei muita química entre ele e Kahlen. Não foi aquele romance que nos faz sonhar acordada não, foi fofo, mas nada arrebatador. Para os fãs de Kiera, não chega perto de América e Maxon.
Entendo que “A Sereia” é um livro único, então é difícil comparar com uma série como “A Seleção”, mas ainda assim insisto que a autora deixou um pouco a desejar. 

No mais, o livro traz uma leitura muito gostosa e não vai tratar somente de romance, mas também de amor fraternal, amor próprio e também de amizade. Não chega perto de ser o melhor livro de Kiera, mas se você quiser uma narrativa leve para distrair, pode apostar nesse aqui. Por outro lado, se não gosta de clichês e tramas previsíveis, passe bem longe dele!

“Não conhecia nenhuma expressão mais forte que “alma gêmea”, que desse a entender a sensação de estar tão unido a alguém que é difícil dizer onde termina essa pessoa e onde você começa. Se essa expressão existisse, pertencia a Akinli e a mim.”



Avaliação:
                                                                            Ficha Técnica
Título: A Sereia
Autor: Kiera Cass
Editora: Seguinte

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Se você: Cheira livros, se apaixona por personagens, sofre com eles como se fosse alguém da sua família, corre atrás de autógrafos, viaja para outro estado para participar da Bienal do Livro, adora um sebo, procura por eventos literários, entra na livraria para dar um livro de presente e sai com dois para você, então você está no lugar certo!