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Um Tom Mais Escuro de Magia - Resenha


Uma das autoras internacionais mais populares do ano passado foi Victoria Schwab, que também veio à Bienal Internacional do Livro, que aconteceu aqui no Rio de Janeiro.
Eu já havia ouvido falar muito bem de Schwab e gostei muito de "Um Tom Mais Escuro de Magia", até que percebi que ainda não havia exaltado esse livro por aqui.

Acredito que todos tenham uma visão de como é Londres, mas Victoria nos apresenta mais três versões da capital inglesa. Assim como indicado na capa do livro, há uma Londres Branca, outra Londres Cinza, uma outra Londres Vermelha e também uma Londres Preta, onde vivem os protagonistas da história, separadas por dimensões diferentes. Dentre eles há Kell, um dos últimos Viajantes que podem transitar entre a magia das cidades.

Até que um dia, em sua mania de colecionar itens das quatro Londres, o Antari — nome dado aos humanos que podem usar magia, como Kell — se depara com um objeto misterioso. Daí em diante, sua vida corre perigo. Na verdade, a vida de todo o mundo passa a correr perigo. Como não ser atraído por essa história?

A história é narrada em terceira pessoa, o que achei ideal para poder descrever melhor tantos cenários — que são muito ricos — e personagens. Acredito que faltariam detalhes coerentes para explicar características de cada cidade — que são bem diferentes uma da outra — caso isso não fosse feito por um personagem próprio de cada local e que fosse um tanto onisciente. E fique tranquilo, porque Victoria explica tudo o que precisamos saber.

Embora possa parecer um universo muito grande e complexo para ser compreendido, a autora nos trará as descrições nos momentos ideais, o que também explica a quantidade de páginas um pouco acima da média. Além disso, para quem está acostumado com livros de fantasia, rapidamente conseguirá interpretar e criar uma imagem de cada Londres.

Kell tem uma responsabilidade muito grande, diante do seu cargo, mas eu fiquei um tanto incomodado com a indiferença do personagem em determinadas situações e circunstâncias. Me pareceu o tempo todo que ele não se importava o tanto que deveria se importar diante de certas urgências. Confesso que gostei muito mais de Lila, que talvez devesse ser uma personagem menos interessante — por ser humana e sem tantas habilidades legais.

Outra coisa que me incomodou um pouco foi a falta de conexão entre os personagens das Londres, deixou um clima ameno, que deveria ser mais intenso devido ao perigo apresentado pela narrativa.

Mesmo com esses incômodos, o livro possui mais qualidades do que defeitos e uma outra que eu gostaria de destacar é a falta de romance! Sim, eu não sou fã do casalzinho protagonista que supera tudo com o amor. Tampouco de triângulos ou outras possíveis amorosas figuras geométricas que o romance possa assumir. Então se você pensou que Lila e Kell formarão um par romântico, pode largar de mão esses coraçõezinhos todos, o foco da história — ainda bem — não é afetado por dilemas de amor.

"— O amor não nos impede de congelar até a morte, Kell — continuou ela. — Ou de passar fome, ou de ser esfaqueada por causa do dinheiro em seu bolso. O amor não nos compra nada, então fique feliz pelo que você tem e por quem tem, porque você pode até querer coisas, mas não precisa delas."

Victoria nos entregou uma narrativa com um ótimo ritmo e com elementos bastante distintos do clichê fantástico, que promete se desenvolver muito bem. Ainda não li o segundo volume — a fila de leitura tá gigante! —, mas espero que a história siga o rumo do sucesso, mantendo as mesmas qualidades presentes em "Um Tom Mais Escuro de Magia".

Avaliação: Nota 4/5

Ficha Técnica:
Título: Um Tom Mais Escuro de Magia
Autora: V. E. Schwab
Editora: Record
Páginas: 420

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